Anaí Licia Couto Psicóloga/Psicanalista
   
 
BRASIL, Sudeste, SAO PAULO, Mulher
 

  Histórico

Categorias
Todas as mensagens
 Citação

Votação
 Dê uma nota para meu blog

Outros sites
 UOL - O melhor conteúdo
 BOL - E-mail grátis
 Lisiê Silva
 InPaSex - Instituto de Psicoterapia da Sexualidade
 Blog do Zé
 Mari Caruso Cunha
 Blog do Radialista Carlos Ferreira Juiz de Fora/MG
 Gilberto Lins




 

 

Citação

 

 
 

"Histeria e suas manifestações no masculino"

Publicação do artigo em 2011, no site: http://2011.centropsicanalise.com.br/livros.php

Autor: Anaí Licia Couto

 

Buscar na Web "Anaí Licia Couto"

Quando: Out/2010

Nos estudos psicanalíticos, desde minha formação em psicologia, sempre me intrigou a ênfase dada às mulheres na histeria, que apesar de ter predominantemente suas manifestações no gênero feminino, em diversos pacientes masculinos de Freud podemos encontrar seus traços e manifestações. No caso Hans, por exemplo; uma histeria de angustia recebe de Freud a denominação de zoofobia histérica infantil e também a citada loucura histérica analisada por Freud em 1923, no trabalho “Uma neurose demoníaca no século XVII”. Na literatura contemporânea, poucas são as referencias sobre histeria masculina, entretanto seus sinais são observados frequentemente. Para abordar as questões que me envolvem, gostaria de lembrar que para Charcot, um dos pioneiros nas investigações sobre histeria, este distúrbio era atribuído à hereditariedade. Freud sendo seu aluno e discípulo não se contentou com esta tese, dedicando-se incansavelmente na questão até chegar aos processos de conflitos inconscientes como deflagradores de sintomas. Suas pacientes, através da evocação de idéias, conseguiam reviver emoções, fantasias e situações que possibilitavam a emergência de seus conflitos para o campo da consciência e na medida em que se tornavam conscientes de tais conflitos, estes eram suprimidos. No final do século 19 a histeria ainda era considerada uma manifestação da frágil e carente mulher, a considerar pela sua designação de origem grega histeria, que traduz útero, acreditava-se que o sangue contaminado do útero chegando ao cérebro era a causa das convulsões, e não apenas estas ganhavam expressão nos quadros histéricos, manifestações diversas como sabemos entre paralisias, crises respiratórias, taquicardia e uma constelação de outros sintomas que poderiam revelar, a grosso modo, a angustia das repressões, castrações, resistências, enfim. Falar da histeria masculina na ausência de um útero, era impossível, ainda hoje o é, não se faz sem resistências e reservas, tanto dos homens afetados quanto dos médicos que diagnosticam segundo Alonso e Fuks (2004). No decorrer do século 20 a histeria deixa de ter a atenção médica em função das sucessivas reformas nosológicas na saúde mental, recebendo outras nomenclaturas nos consultórios médicos de diversas especialidades, principalmente na psiquiatria e neurologia. As convulsões ganharam status de distúrbios psíquicos como transtorno de pânico ou de ansiedade, podendo também ser confundidas com epilepsia de controle difícil. Entretanto esta, em geral, tem origem orgânica bem definida e a histeria não. Portanto ainda que a histeria tenha suas facetas, ainda se revela em alto índice nas clinicas de neurologia, estudos por oito centros médicos em diversos estados do Brasil, que contam com o videoeletroencefalografia (V-EEG) instrumento que possibilita a diferenciação do que é epilepsia e o que não é, apontam por ano cem casos de pacientes que apresentam as crises conhecidas como “Não-epiléticas psicogênicas”, ou seja, além da histeria outros distúrbios psiquiátricos podem apresentar estas crises, como anorexia, bulimia, pânico, bipolaridade e transtorno de ansiedade. Estudos recentes do Hospital das clinicas em São Paulo, indicam prevalência na histeria. Encaminhados pela neurologia trinta e cinco pacientes para o tratamento psicoterápico, apenas 26 concluíram o processo e vinte e cinco receberam diagnóstico de histeria, entre eles as mulheres representam 23 casos e homens dois, sendo que um deles apresentava tanto crises epiléticas quanto emocionais. Freud já fazia referencias a histeria como manifestação em homens e mulheres, e ao ser questionado porque só apresentava mulheres histéricas, dizia que os histéricos poderiam ser encontrados como maltrapilhos nas ruas, acometidos pelo mal cronificado do alcoolismo. Cujas manifestações outras, em geral estão maquiadas, disfarçadas pelos traumas honrosos, pela coragem, heroicidade e não revelada claramente como tal, mas através de “síndromes honrosas” como invalidez, por exemplo. Hoje, porém, pouco se fala do mal que multifacetado acomete gravemente a vida desses homens, por vezes impossibilitando-os de trabalhar e garantir o sustento próprio e ou de suas famílias, entre outras dificuldades e prejuízos em suas vidas de modo geral, a partir inclusive de diagnósticos equivocados. Neste campo a neurologia tem prestado grandes contribuições para o diagnóstico diferencial nas investigações com a videoeletroencefalografia (V-EEG). Em referencias citadas por Fioravante (2005) diz o psiquiatra e psicanalista Fábio Hermann, pesquisador e membro da USP e do HC de São Paulo, que visualiza neste novo cenário, grande oportunidade para investigações em alto nível, “num campo estagnado por repetição teoria”. Aposta na equipe multiprofissional, com neurologistas, psicólogos (Psicanalistas) e psiquiatras juntos para descobrirem a melhor forma de lidar com estas expressões do inconsciente. Mas a questão que me instiga no tema é pensar no cenário sociocultural em que estamos vivendo, a ditadura pela igualdade dos sexos implicando diretamente o lugar, os papéis, funções já estabelecidas e arraigadas, na psique feminina e masculina, há séculos. Em minhas reflexões penso no fenômeno cultural como significativo deflagrador da histeria masculina, quantos lares apresentam estes papéis e funções trocadas, outros casos em que o homem já não se mantém como o grande provedor, e ao dividir esta tarefa com a mulher é intimado a contribuir com atividades antes atribuídas exclusivamente ao sexo feminino. Penso que de certa forma isso agride profundamente o narcisismo masculino, ao se perceberem destituídos de um lugar que lhe garantia uma condição de poder na sociedade e na família e jogados a outro que por séculos fora considerado por eles de pouquíssima valia. Segundo Silvia Alonso e Fuks autores de “Histeria”, no homem está menos em jogo o corpo e ou imagem do que na mulher, visto que honra ou desonra está mais ligada ao narcisismo, atualmente com as mudanças dos representantes do masculino os sintomas se diversificaram. Suas manifestações aparecem através de taquicardia, distúrbios gastrointestinais, idéias hipocondríacas, crises ansiosas com alterações cardíacas entre outras, diferentemente da mulher que com mais freqüência apresentam paralisias, anestesia, encefaléias. Estudos apontam que a histeria masculina se manifesta também em crises de ira, agressividade, violência contra mulher, em alguns transtornos que envolvem a compulsão como jogo patológico, endividamento exacerbado, na bipolaridade, ou seja, vários estudos apontam que os histéricos se encontram nas delegacias e as histéricas nos consultórios médicos. Atualmente os homens encontram mais espaço para expressar seus sofrimentos neuróticos e procuram ajuda com mais freqüência. Mas pouco ainda se fala sobre a histeria entre eles, e minhas questões aumentam a esse respeito. Freud nos diz que a sexualidade é mais ampla que a atividade sexual em si, e compreende todo processo cíclico de prazer e desprazer que envolve desejo e experiência humana. Na psicanálise entendemos a histeria como funcionamento psíquico caracterizado pela busca incansável e inconsciente do sujeito em ser o objeto de desejo do outro. Na literatura encontramos também a metáfora de Don Juan cuja manifestação histérica é não estabelecer vinculo amoroso com uma mulher, estas representam um numero numa lista, como o desejo insaciável de “realizar” um desejo. O desejo, a conquista é o objeto, por isso mais um numero, na aquisição dos desejos, estes perdem atrativos, levando o histérico a uma nova busca. Logo me pergunto se o objeto do desejo pode estar localizado no fenômeno transitório de Winnicott, ou na falta de um olhar vivo da mãe, ou ainda na falta de representação fálica do pênis, cujo homem não se sente capaz de ser objeto de desejo ou realizar, satisfazer as necessidades da mulher. Dito de outra forma, não se estabeleceu como falo da mãe. Com efeito, observam-se algumas expressões histéricas no masculino, como na sedução e não realização efetiva de uma relação amorosa sexual e até mesmo nas relações sociais, assim como na histeria feminina. Já observei em alguns relatos na clinica, pacientes masculinos afirmando uma necessidade de ter o olhar das mulheres sobre ele, que a idéia de que o desejam o satisfaz. Parece-me também que existe uma angustia escamoteada, de não conseguir sustentar este desejo do outro se houver uma aproximação maior. “Podemos compreender as constantes visitas dos histéricos aos hopitais como um contínuo apelo para que a mãe volte a cuidar deles e para que ela redescubra o corpo do bebe como algo agora desejável”. (Bollas, apud Fioravante, C.; 2005) Vale lembrar as referencias psicanalíticas que não atribuem a etiologia da histeria apenas à mãe, mas também ao pai, pois ambos podem dar condições para o desenvolvimento em seus filhos de uma identidade que não lhes são próprias. A histeria também é fomentada quando, deixando de realizar a castração simbólica, via omissão nas funções paternas não se define limites que auxiliam no estabelecimento da identidade e dos papeis sociais e sexuais dos filhos. Voltamos então ao contexto sociocultural, cujos papeis e funções sociais e sexuais estão em intensa transformação, de modo que o lugar antes estabelecido para homens e mulheres já não são definidos com o rigor precedente. Podemos indagar que para o homem o avanço nas conquistas do sexo feminino foi a destituição de um lugar, que até então, estava de algum modo confortável ou adaptado e justificado, sendo lançado a uma zona desconhecida que lhe impõe outras funções deflagradoras de conflitos intensos e inconscientes, principalmente às gerações transitórias que sofrem uma forçosa adaptação nas ultimas décadas. Com base nesta prévia de estudo e reflexão, questiono ainda se a histeria no masculino poderia ter suas origens nas fases primitivas do individuo, numa possível falha da narcisização deste sujeito ou a não ocorrência dela, deflagrando os estados regredidos, motivados pelo contexto social e expressos nos sintomas... Lembrando Joel Birman em sua palestra sobre o adolescente hoje podemos também ir além e pensar nestas gerações que se desenvolvem precariamente sem a narcisação e quase que totalmente desinvestidos de afeto paternais. Particularmente penso que vivemos num estado alarmante sobre o rumo das próximas gerações, que progressiva e lentamente vem manifestando estados quase que transitórios entre sintomas neuróticos graves e precoces com aspectos e expressões psicóticos. Poderíamos conjecturar a possibilidade da predominância da histeria transladar do feminino para o masculino? Estas reflexões me apontam o vasto campo de possibilidades e necessidade de estudos e pesquisas mais aprofundados no tema, mas o que me parece muito claro é que o tempo nos impele sempre à descoberta, ao desconhecido, não há fim, mas transformação continua, assegurando ao ser humano de modo geral, as possibilidades inimagináveis do devir, do poder estratégico de continuidade que caracteriza a essência humana.



Escrito por Anaí Licia Couto às 18h19
[] [envie esta mensagem
] []


 

 

 
 

"Meu esboço..."

Autor: Anaí Licia Couto

Buscar na Web "Anaí Licia Couto"

Quando: 18/09/2009

Meu esboço...

Que desassossego é esse? Como um despertar....

Um desejo profundo de ver o mundo diferente e contemplar a vida,

onde a transparência seja um imperativo!!!

Não há formas humanas, nas quais podemos encontrar a consistência singela,

ou a fluência da luz e das águas cristalinas!!!!

Quem é este homem e esta mulher que depois de uma infância remota,

se distancia e embota os mais sutis encantos pueris?

Do despertar divino, para o mergulho profundo em que as almas se escondem,

se perdem e se deleitam...

Nos discursos, nas fantasias e nas mascaras que lhes ocultam as faces...

A alma, o eu verdadeiro... inacabado...

 Anaí Licia - 17h50' 18/09/2009



Escrito por Anaí Licia Couto às 17h08
[] [envie esta mensagem
] []


 

 

 

"Para as mulheres que não escolheram queimar os seus sutiãs em praça pública..."

Autora: Anaí Licia Couto

 Publicado na Folha de Londrina em

SEXO E COMPORTAMENTO
Culturas dominantes, sociedade da escolha - 30/06/2009
  http://www.bonde.com.br/folha/folha.php?id_folha=2-1--8542-20090630

Buscar na Web "Anaí Licia Couto"

Quando: 05/05/2009

Dia desses assistindo ao filme - “Divã ”, na verdade não elaborei ainda minha opinião sobre o filme, entretanto, uma cena fez emergir velhas questões que esporadicamente me agitam e me implicam numa reflexão ainda inacabada. Ao chegar em casa fui checar meus e-mails e uma amiga de faculdade, visitando meu Blog, sugeriu-me deixar um espaço para as “Mulheres, que não escolheram queimar seus sutiãs em praça pública”, e essa era exatamente a questão... Isso nos rendeu muitos risos, durante os cinco anos de universidade... Saudades, Fran ! Vi-me diante de um desafio, visto que sempre me coloco em questões, um tanto polemicas, para meu desagrado, entretanto, questões que incitam uma forma diferente de pensar, uma possibilidade real de escolhas pouco convencionais, especialmente, frente à nossa cultura contemporânea, falar sobre elas suscita comentários do tipo: Em que mundo você vive? Então vamos lá! No passado as mulheres não tinha escolha, eram oprimidas, castradas, em seus direitos mais essências, como pensar, estudar, trabalhar fora de casa, opinar, e gozar, gozar a vida... Ou seja, expressar, manifestar suas expectativas, anseios e potencialidades intelectuais e “Humanas”. Nada, além do ser mãe, esposa e dona de casa, papéis estes, muito bem delineados pelas sociedades, religiões, e culturas dominantes da época. Travou-se uma grande batalha, em 1968, em meio à invasões do Vietnã, M. Luther King havia sido assassinado, e muitas mulheres organizaram-se em protesto contra o curso de uma sociedade opressora, determinado por homens da elite dominante, cujo às classes minoritárias como, mulheres e negros, eram atribuídos apenas os trabalhos secundários. Carregando símbolos de feminilidade da época, essas mulheres reivindicavam por igualdade de direitos humanos, liberdade de expressão, entre outras coisas a inclusão social das minorias. O objetivo era jogá-los em uma lata de lixo e queimá-los em praça pública, mas foram inibidas pela prefeitura de Atlantic City. Esta tentativa ficou marcada na história como fato ocorrido, como um protesto à ditadura da beleza que era impingida às mulheres daquela época, e foi neste contexto, que o movimento feminista ganhou lugar, significativa distorção e grandes conquistas para as mulheres. Hoje a ditadura da beleza é ainda mais rígida e escravizante, levando jovens e mulheres a verdadeiros delírios de uma beleza e juventude utópicas, não bastasse, a mulher correu atrás do prejuízo, atravessou fronteiras de peito aberto, na disputa pelos gabinetes executivos, que antes era de domínio exclusivo masculino. Hoje enfrenta uma batalha múltipla, é maciçamente desafiada pelas artimanhas do preconceito e descriminações, e suas vidas se transformaram numa verdadeira maratona para provarem constantemente que são capazes, e provam. Visto que, os efeitos dessas conquistas se expressam significativamente, em novos moldes de toda sociedade, inclusive da estrutura familiar. Derrubaram os homens de seus tronos e os lançaram a um lugar ainda desconhecido, as mulheres sentem-se sobrecarregadas, ainda desamparadas e não compreendidas, num lugar, que na maioria dos casos ainda, não foi totalmente extinto, o lugar das especificidades femininas. Mas esse contexto tem lá o seu avesso, hoje o preconceito e a discriminação acabam por vitimar, pelas próprias mulheres e não só por elas, outras mulheres, aquelas que por igual direito de escolha e ou circunstancias, permanecem no mesmo caminho que fora abandonado outrora, pelas primeiras. A ditadura sociocultural mudou, mas não tanto assim, mas impondo-se da mesma forma contra a liberdade da mulher que hoje enfrenta a retaliação de sua própria classe e da masculina também, hora porque agem como homens e não exercem mais seus antigos papeis, hora porque são preguiçosas e acomodadas, por optarem em preservá-los. Penso que na verdade, não mudou muita coisa, os lugares são outros, os tempos também. Toda via, a mulher continua sendo tolhida em seu direito natural e essencial, de expressar sua humanidade, pelas vias genuínas de sua especificidade, o feminino, amplo, complexo, incompreensível, magnífico. O direito de simplesmente gozar e lutar, sem que os extremos da cultura lhe impinjam suas escolhas, escolher sem pagar preços tão altos, sem culpa, sem se sentir menos. 



Escrito por Anaí Licia Couto às 19h52
[] [envie esta mensagem
] []


 

 

 
 

"Psicologia / Psicanálise"

Autora: Anaí Licia Couto

Buscar na Web "Anaí Licia Couto"

 12/01/2009

Publicado na Folha de Londrina em: 

07/07/2009
SEXO E COMPORTAMENTO
O que é jogo patológico
 http://www.bonde.com.br/folha/folha.php?id_folha=2-1--1857-20090707

 

JOGO PATOLÓGICO: Um transtorno psiquiátrico que se desenvolve silenciosamente....

Nos últimos anos, acompanhamos pela mídia uma grande polêmica em nosso país, o fechamento ou a permanência das casas de bingo e a legalização dos jogos de azar. O videopôquer, jóquei club e outras casas de apostas estão espalhados pelas cidades, algumas até clandestinas. Momento oportuno para dar luz a uma realidade pouco conhecida socialmente e que tem sido objeto de estudos para muitos pesquisadores e profissionais da área de Psicologia e Psiquiatria. O Jogo Patológico é um Transtorno Psiquiátrico ao qual se atribuem relevantes traços de personalidade, vinculados a dependências substanciais,principalmente ao álcool e tabaco. Classificado no Código Internacional de Doenças - CID-10 como "Transtornos de Hábitos e Impulsos" . Porém alguns veem o JP como uma dependência comportamental, aproximando-o dos Transtornos de Humor e Ansiosos, foi reconhecido como uma patologia, apenas há alguns anos. No Brasil, o jogo é aceito com naturalidade como diversão e lazer, nos bingos beneficentes, no jóquei club, no jogo do bicho, e também, como um modo de “enriquecer rapidamente” através das loterias. O que não se sabe é que a evolução do jogar não patológico para o jogar patológico ocorre traiçoeira e silenciosamente, porque enquanto o jogo não se torna patológico as perdas são quase impercebíveis e as desvantagens quase que inexistentes, de contra ponto, as vantagens são diversamente associadas ao prazer, laser, aos ganhos, sociabilidade e a fantasia de “enriquecer rapidamente”, efetivando a adicção, o que causa no jogador uma dependência estabelecida pela falta de controle sobre si e sobre as apostas. As apostas, muitas vezes iniciam-se na adolescência, mas pode ocorrer em qualquer idade em função de conflitos familiares, desejos de consumo, rejeições e perdas de emprego, por morte, separação de entes queridos ou depressão, emoções positivas e negativas, influências culturais, entre outros fatores que são altamente relevantes a adicção ao jogo. A partir da instauração do problema com o jogo, inicia-se o contato do indivíduo com as desvantagens, perdas sucessivas, ganhos esporádicos e prejuízos, estabelecendo progressivamente o caos na vida desses sujeitos. O que antes era gratificante, prazeroso, aliviava tensão, dando sensação de poder e de competência, transforma-se num ciclo de atitudes impulsivas e compulsivas. Sentimentos de culpa, angustia, vergonha, arrependimento, euforia, e então o jogador torna a jogar para tentar reparar os danos e prejuízos, e que na maioria das vezes vão se acumulando. As implicações, conseqüências, pessoais, familiares e sociais do jogar patológico são efetivas, causando ao jogador e àqueles com quem convivem, grandes sofrimentos morais, emocionais, físicos [na crise abstêmica, alguns apresentam sintomas semelhantes aos dependentes químicos], perdas materiais e até mesmo problemas com a justiça, marginalização, ou seja, exclusão familiar e social. Vamos lembrar que, o que caracteriza o jogo patológico é a perda de controle, esta varia em freqüência e intensidade, sobre si e sobre as apostas. Os apostadores que já enfrentam conflitos decorrentes do jogo, devem considerá-los como um alerta. Em geral quando o individuo procura ajuda, já se encontra francamente comprometido patologicamente, ou seja “jogador compulsivo”, com perda de controle grave e demais prejuízos. 



Escrito por Anaí Licia Couto às 22h23
[] [envie esta mensagem
] []


 

 

 
 

"Psicologia / Psicanálise"

Autor: Anaí Licia Couto

 05/12/2008

Buscar na Web "Anaí Licia"

Publicado na Folha de Londrina 

05/05/2009 - Em SEXO E COMPORTAMENTO - Ciúme patológico
 
 http://www.bonde.com.br/folha/folhad.php?id_folha=2-1--954-20090505

 

 

Aos ciumentos de plantão...

Falar de ciúme não é tarefa fácil, pois costuma-se vincular este sentimento ao amor. E o que é amor? Algo que nos torna vulneráveis a dor da perda? Mas, perda está intrinsecamente ligada ao ter, à posse. E o amor... Este é da ordem dos sentimentos, da ordem do ser e existir, não se possui o amor, simplesmente sente-se, vive-se no amor e a suposta perda ou separação daqueles que amamos é intensamente sentida. O ciúme nesse caso, pode ser um tempero, uma via de preservação e alimento da relação, estimulados pela possibilidade da perda os amantes partem para a sedução e uso dos mais variados subterfúgios para preservar as relações. Entretanto, existem muitos sentimentos em que se apóiam o ciúme, dos mais comuns aos mais complexos, e poucas vezes, podem ser observados e apreendidos pelas pessoas. É desse ciúme que vamos nos ocupar. Podemos começar pelo sentimento de posse, em geral não basta viver o afeto por alguém, precisamos possuí-lo, até em seus pensamentos e sonhos, deflagrando fantasias de traição, de ameaças, vindas de todos os “Lados”... É, de todos os lados, isso nos remete ao olhar do ciumento (a), para quem ele (a) olha? Em geral, para o ciumento a ameaça vem sempre dos outros, dizendo confiar na pessoa querida, amada, e o contrário é verdadeiro, existe a insegurança com o amor que recebe do outro, que pode ser pertinente ou não e deve ser devidamente analisado. Entretanto, nem sempre são incitados por dados de realidade. Surgem então, duas questões; Como anda sua auto-estima? Para quem olha o ciumento? Muitas vezes é o ego que está em foco, auto-estima rebaixada, a vaidade ferida e a angustia da traição, o ser trocado por outro alguém. Isso pode doer mais do que a perda em si e raramente é percebido conscientemente. A angústia da perda, da rejeição pode chegar ao limite do suportável, quando não o ultrapassa de fato, causando graves prejuízos na existência das pessoas envolvidas. Surgem restrições na sociabilidade, no campo profissional e familiar, privilegiando o isolamento do casal. Constantes brigas, conflitos e desconfianças, implicam constrangimento aos mesmos e àqueles com quem convivem, comprometendo efetivamente o desenvolvimento das pessoas envolvidas, suas atividades e relações de modo geral. O ciúme tornou-se uma justificativa precária para comportamentos hostis, como maus tratos, violência e até mesmo para o crime. A vida pode se transformar num pesadelo, cujo amor já não está presente de verdade se é que esteve. Todavia, culturalmente falando, o ciúme é intrinsecamente ligado ao amor, apresentando-se invariável e freqüentemente legitimado como álibi à maquiar as diversas faces do narcisismo, e sem que nos surpreenda, entretanto nos lançando à perplexidade, testemunhamos ainda a transformação de vítima em réu. É fundamental lembrar que, o ciúme manifesta-se em intensidade e variações diversas, envolve angustias diferentes, dúvidas, incertezas, inseguranças, que não raro fogem à realidade numa escala do normal ao patológico. As pessoas que sofrem de ciúme, buscam sempre confirmar suas suspeitas, encontrar provas da traição, e nos casos mais exacerbados sente-se perseguidas e ameaçadas. Por decorrência da precipitação em atos, palavras e ofensas, torna-se um padrão de comportamento do ciumento, pedir desculpas ao parceiro e às pessoas que testemunham, seguido de intenso sentimento de culpa até a próxima crise. O que podemos dizer nesses casos, é que a pessoa que sofre de ciúme exacerbado e ou reconhece em si tais oscilações de humores, de comportamentos decorrentes, podem e devem buscar ajuda profissional. O processo psicoterapêutico pode favorecer efetiva e significativamente, o resgate da qualidade e estabilidade nas relações e na vida dessas pessoas. A partir de uma análise mais apurada, sobre questões pessoais, auto-imagem, auto-estima, baixa tolerância à perdas e frustrações, confiabilidade, dificuldade e habilidades do pensamento que promovem tais dissonâncias emocionais e que resultam nessa rede de sentimentos e comportamentos que lhes causam tantos prejuízos. Em suma, as questões do ciúme estão muito mais ligadas à pessoa que o sente do que ao objeto do ciúme.



Escrito por Anaí Licia Couto às 22h57
[] [envie esta mensagem
] []


 

 
[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]